domingo, 11 de setembro de 2011

O próprio da inteligência humana é apreender a idéia abstrata, por meio da experiência de conhecer pelos sentidos diversos...

Assim, lembrando do que disse,
São Thomás de Aquino:
“O intelecto humano, que está acoplado ao corpo, tem por objeto próprio a natureza das coisas existentes corporalmente na matéria. E, mediante a natureza das coisas visíveis, ascende a algum conhecimento das invisíveis" (S. Th.. I, 84, 7).

Nesta afirmação, espelha-se a própria estrutura ontológica[1] do homem,
mesmo as realidades mais espirituais só são alcançadas, por nós, através do sensível:
Ora - prossegue S. Thomás:
“ tudo o que nesta vida conhecemos, é conhecido por comparação com as coisas sensíveis naturais".
Esta é a razão pela qual o sentido extensivo e metafórico está presente na linguagem de modo muito mais amplo e intenso do que, à primeira vista, poderíamos supor.

O problema do ensino, como não poderia deixar de ser, é proposto por S. Thomás nos quadros de sua antropologia e doutrina sobre o conhecimento.

A própria palavra “educação", ainda que não apareça em S. Thomás, é como que sugerida diversas vezes em suas análises:
“trata-se de um eduzir - deduzir, extrair - o conhecimento em ato com base na potência: scientia educatur de potentia in actum (De Magistro art. 1, obj. 10); a mente extrai o ato dos particulares dos conhecimentos universais (ex universalibus cognitionibus mens educitur - art. 1, solução); leva ao ato (educantur in actum - art. 1, ad 5).

Ensinar é, pois, uma educação do ato; uma condução da potência ao ato que só o próprio aluno pode fazer.

·        S. Thomás está distante de qualquer concepção do ensino como transmissão mecânica;

O professor, tudo o que faz é:
“en-signar” (insegnire), apresentar sinais para que o aluno possa por si fazer a edição do ato de conhecimento, no sentido da sugestiva acumulação semântica que se preservou no castelhano: enseñar (ensinar/mostrar).

O mestre mostra!

Assim, é altamente sugestiva a genial comparação no art. 1 do De Magistro[5], entre:
A aprendizagem sendo a cura e o professor sendo o médico.
[1]  Ontologia (em grego ontos e logoi, "conhecimento do ser") é a parte da filosofia que trata da natureza do ser, da realidade, da existência dos entes e das questões metafísicas em geral. A ontologia trata do ser enquanto ser, isto é, do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres. Costuma ser confundida com metafísica.Conquanto tenham certa comunhão ou interseção em objeto de estudo, nenhuma das duas áreas é subconjunto lógico da outra, ainda que na identidade.